Imperfeição Revestida

No fim de 2016, um grupo de alunas do curso de Cinema e Audiovisual da ESPM-Rio se inscreveu no ELIPSE, Programa Estadual de Fomento ao Curta Universitário. O programa, que é uma parceria da Secretaria de Cultura, da Fundação Cesgranrio, do Canal Brasil e do Cine Odeon, tem por objetivo contemplar projetos de curta-metragem a serem produzidos por estudantes de universidades fluminenses. O grupo da ESPM-Rio, formado por mulheres, roteirizou, produziu e filmou o curta “Imperfeição Revestida”, que mostra conflitos e pressões cotidianos sofridos por mulheres, a partir de uma perspectiva feminina. Entre os momentos abordados está o da protagonista em um ônibus e como ela percebe as pessoas à sua volta. O curta será exibido no Cine Odeon, no dia 28 de setembro.

Pâmela tem 30 anos, é uma mulher bem sozinha, que tem uma relação conflituosa com suas próprias imperfeições e até mesmo com a sociedade. A personagem é o fio condutor do curta, idealizado pela aluna do 4º período do curso de Cinema e Audiovisual da ESPM-Rio Gabriela Gonçalves Moreira.

“O filme mostra a relação da mulher com as suas próprias imperfeições, como ela lida com isso tanto na intimidade quanto quando ela está diante de outras pessoas. O curta também deixa claro essa pressão da sociedade para que a mulher evite os seus defeitos, o que a leva a um limite”, explicou.

Os 10 minutos de filme são divididos em três grandes partes: o quarto, o ônibus e a perseguição a uma barata. No primeiro caso, o objetivo é mostrar como Pâmela se incomoda na intimidade com o ritual ao qual se submete diariamente. Além do desconforto diante do espelho, a não aceitação da autoimagem fica evidente com os consecutivos (e cansativos) rituais de beleza aos quais a personagem se submete. Já no ônibus, ela fica incomodada com a presença das pessoas, de como a sociedade a vê e, por isso, exaustivamente se preocupa em se arrumar. A perseguição a uma barata, no centro do Rio de Janeiro, mostra, pela primeira vez, a protagonista como ser atuante e não mais como alguém que age de forma passiva diante das pressões externas e ainda deixa em aberto as diferentes interpretações e semelhanças sobre como a sociedade lida e enxerga as mulheres e as baratas.

“A gente tem pouco produto audiovisual que retrata a mulher pelo olhar de uma mulher. Este curta foi feito por mulheres e esta foi uma decisão política, a decisão de fazer uma obra audiovisual que pudesse nos fortalecer de certa forma, porque o monólogo final fala sobre aceitação e essa mulher se aceita no final do filme”, contou Thayná de Oliveira Ivo, também aluna do 4º período do curso de Cinema e Audiovisual da ESPM-Rio.

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