Eis o Admirável Mundo em Rede

Com o nome original “Lo and Behold, Reveries of the Connected World” este documentário de 2016, também categorizado como um ensaio, apresenta em 10 capítulos a internet.

O objetivo do documentário é o de sensibilizar o espectador e fazê-lo repensar o seu vício pela internet – ele provoca uma análise aprofundada, filosófica e provocativa sobre os impactos da internet na vida contemporânea. Dirigido e narrado pelo cineasta alemão Werner Herzog, o filme explora deste o nascimento da internet até a forma como a temos hoje.

Werner Herzog ficou conhecido por ter dirigidos filmes que ganharam destaques e se tornaram mundialmente famosos, como Aguirre, a Cólera dos Deuses (1972), O Enigma de Kaspar Hauser (1974)Fitzcarraldo (1982).

Começando de forma linear, com a explanação da história e com datas importantes para o tema, mas, com o passar dos minutos a conversa perde esta linearidade e fica solta (fazendo uma espécie de analogia de como era e é a internet).

Há várias entrevistas no filme, de diferentes pessoas e autoridades da área da tecnologia – que vai desde os primeiros a entrarem em contato com a rede até vítimas da radiação de dispositivos sem fios e também pessoas viciadas na vida em rede, além de hackers, analistas de segurança, investigadores no campo da neurologia, astrónomos e engenheiros.

Este trabalho de Herzog aborda os temas de forma global (o surgimento da internet, a adição à mesma com visita a um centro de reabilitação, a invisibilidade das cyber wars, a aura mítica e a importância da cultura hacker, o advento da inteligência artificial, as questões de invasão de privacidade, a hipótese do colapso súbito das tecnologias digitais e com elas de declínio da civilização, internet das coisas, o futuro da tecnologia digital, robótica e inteligência artificial,  além dos perigos do ciberterrorismo) e é considerado uma espécie de manual de introdução ao estudos das tecnologias digitais.

Herzog abre o documentário com uma explicação sobre o porquê do nome título do documentário (Lo and Behold), onde o cientista Leonard Kleinrock, ao som da ópera “O Ouro do Reno” de Wagner, fala que a primeira palavra trocada entre computadores, em 1969, foi uma mensagem com a palavra log (como em log in) mas porque um dos computadores parou (a rede não suportou o fluxo de dados e caiu), foi apenas enviado: lo; a palavra transformou-se em um profecia, pois em inglês a palavra “LO” é usada na expressão “lo and behold”, que significa “e eis”, dito quando contamos algo de surpresa que acabou de acontecer.

Sempre em off, a narração do diretor faz a ligação entre os ensaios proferidos pelos seus convidados.

Você encontra o documentário – Eis o Admirável Mundo em Rede, na Netflix. No Youtube não há uma versão com áudio ou legenda em português (brasileiro).

Na Netflix também é possível assistir outros dois documentário dirigidos por Werner Herzog, Happy People: A Year in the Taiga e Visita ao Inferno. Sendo que o primeiro explora como é a vida ao longo do Rio Ienissei, na Rússia, onde os hábeis moradores de uma comunidade rural retiram da terra a sua subsistência; e o segundo apresenta incríveis imagens de erupções e rios de lava, Werner Herzog captura a força brutal dos vulcões e sua relação com ritos religiosos indígenas.

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