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Como reverter os efeitos da crise econômica nas Escolas de Samba do Rio de Janeiro

As décadas de 1970 e 1980 foram um marco na popularização e crescimento das escolas de samba. O apoio dos patronos e a verba dos governos, aliados à criação da LIESA, proporcionaram a criação do “maior espetáculo da terra” com luxo e grandiosidade nunca vistos no país. As escolas de samba tinham se transformado na maior e mais referenciada manifestação cultural do Rio Janeiro. As pequenas escolas de samba da primeira metade do século XX, que transformavam barricas em cuícas e surdos de marcação, tinham se transformado em “Super Escolas de Samba S/A com super alegorias” (Samba Enredo 1982 do GRES Império Serrano – Bum Bum Paticumbum Prugurundum). Os patrocínios surgiram como forma de manter a grandiosidade do espetáculo mesmo com o risco de deixar de lado a essência das escolas: o samba e sua gente bamba.

A atual crise econômica impactou fortemente o desenvolvimento dos projetos concebidos para o carnaval de 2017. Os patrocínios da iniciativa privada bem como a verba oriunda do governo foram significativamente reduzidos. O desafio atual é manter o show sem achar que “virou Hollywood isso aqui” (Samba Enredo 1990 do GRES São Clemente – E o Samba Sambou). Mais do que nunca, nesse processo de busca pela continuidade do “maior espetáculo da terra”, é necessário, inicialmente, reviver a criatividade e o apoio da comunidade. Fatores que levaram à construção desse espetáculo outrora “bom, bonito e barato”.

Se estamos vivendo em um momento onde a Economia Criativa está surgindo como ator principal como fonte de receita das grandes cidades, nada mais justo do que repensar as ações estratégicas que levem o nosso carnaval a se manter como um exemplo de manifestação cultural viva e referência para todo o planeta, não deixando de lado as suas raízes e propósito maior: o samba. Para tal, é importante repensar novas formas de receita deixando, dessa forma, a dependência por fontes governamentais ou patrocínios únicos. Como exemplos, já aplicados em escolas tradicionais do carnaval carioca, podemos citar: a criação do Clube de Associados (pois escola de samba tem a ver com paixão), a criação de um portfólio de produtos, a realização de eventos ao longo de todo o ano, a promoção de projetos sociais patrocinados pela iniciativa privada. Junto a essas fontes de receitas, deve-se estabelecer a criação de uma estrutura empresarial que permita a realização de estratégias de posicionamento para o fortalecimento da marca. Lembrando que cada escola de samba tem seu público-alvo e posicionamento próprios (moderna, high tech, tradicional, da massa, etc).

Os gênios do carnaval, nossos grandes artistas, poderão implantar mais facilmente os seus sonhos no momento em que entendermos que a crise pode ser minimizada por criatividade, pela busca de novas fontes de receita, pela implantação de um modelo de patrocínios que não imponha enredos (apenas desfrutando do posicionamento da marca) e pela “volta do povão à arquibancada não ficando fora da jogada” (Samba Enredo 1990 do GRES São Clemente – E o Samba Sambou).

O carnaval carioca deve ser pensado e praticado 365 dias ao ano, pois não podemos esquecer, que se trata da paixão do brasileiro e, um dia, quem sabe, do mundo todo.

 

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